Em troca desta, renunciamos à riqueza, ao
Poder e à gloria (…)”
Esta festa foi um projecto conjunto dos professores e alunos, maioritariamente de etnia cigana.
Foram exibidas danças ciganas, levadas a palco por meninas da etnia; muita música cigana cantada ao vivo por ciganos adultos que terminaram este ano o 6º ano de escolaridade, no Centro Comunitário de S. José, no Bairro da Rosa.
É de relevada importância salientar a abertura cultural do povo cigano à cultura não cigana.
Primeiro, porque a cultura cigana não privilegia a educação escolar.
Um costume que está a mudar dentro do seio desta comunidade; os ciganos já não querem aprender a ler e a escrever o mínimo e essencial, querem mais.
A prova do querer saber mais está no grupo de alunos adultos que concluíram este ano o 6º ano.
Como dissemos atrás, o povo cigano está aberto a novas experiências e a novas culturas. Nesta festa, para além da apresentação de espectáculos tradicionais da etnia, o fado de Lisboa saiu à rua pela voz de Severa, uma menina de etnia cigana; já para não falar do grupo de meninas, da mesma etnia, que dançou ao som de shakira e de outros ritmos quentes.
O olhar de entusiasmo dos finalistas saltou à vista de todos os presentes, bem como a tristeza do abandono, do fim, e do sonho.
A relação de professor/aluno, ia mais além do ensinar letras, fazer contas, e contar histórias de Portugal. Esta relação irradia amizade, felicidade e gratidão de ambas as partes; mais que uma vez foi dito, “não fui só eu que ensinei, vocês ensinaram-me muita coisa”, disse com alguma nostalgia a professora dos alunos adultos.
Verdade seja dita, os ciganos travam uma autêntica batalha no mundo dos não ciganos.
Se por um lado estes, baixam a cabeça ao passar ao lado de um cigano; o cigano revolta-se por não o olharem de frente como a um qualquer.
Isto aplica-se a toda a vida social, seja na escola, onde são temidos; seja na rua, onde lhes baixam a cara; seja onde for.
Será muito melhor, mais digno, mais honesto e respeitoso, olhar nos olhos e perceber que a beleza da igualdade está na diferença!
Gouveia Monteiro, Vereador da habitação da Câmara Municipal de Coimbra, esteve presente nesta festa.
O vereador tem feito um trabalho rigoroso neste Bairro Social.
As iniciativas têm sido muito bem aceites, principalmente pelos ciganos.
O projecto de aulas para adultos foi implementado por ele e aceite pela comunidade.
Gouveia Monteiro deixou alguns votos de felicidade aos finalistas, e a vontade de fazer mais e melhor por todos, “ Nós vamos fazer tudo para que consigam continuar os vossos estudos. E para que tenham pleno êxito no vosso futuro”, conclui antes de abandonar a festa.
A festa terminou, já perto da hora de almoço, com dois professores a dançar ao ritmo da salsa, merengue, tango e milonga.
De seguida foi a vez do público aprender a dançar, os professores fizeram uma espécie de workshop, onde ensinaram alguns movimentos e passos dessas danças.
E mesmo para concluir a parte dos espectáculos, e porque a fome já começava a apertar, foi distribuído por todos os presentes um exemplar do Jornal “A Liberdade”.
Um projecto realizado pelos alunos adultos e pelas professoras.
Ficou no ar a vontade de continuar com este projecto, no entanto as professoras ainda não sabem se ficam colocadas no mesmo estabelecimento de ensino.
Até podíamos dizer que as crianças vivem todas com a mesma alegria o começo das férias.
Até podíamos dizer que é tudo sempre igual.
Ainda há crianças que abandonam o ano lectivo a meio para ir trabalhar.
Há crianças que vibram pela primeira vez com a liberdade de poder aprender.
Há crianças que vêm pela primeira vez uma mão que as puxa e as lembra que são crianças.
Há adultos que descobrem pela primeira vez a maravilha da aprendizagem.
Há culturas que se unem; há radicais que se abrem a novas culturas e a novos conhecimentos.
Há professores humildes que descobrem que não existem apenas para ensinar letras e tabuada.
Há mãos de cores diferentes que se entrelaçam, há sentimentos e emoções novos.
No fundo, há esperança!
“Nasce-se cigano.
Agrada-nos caminhar sobre as estrelas.
Contam-se estranhas histórias sobre ciganos.
Diz-se que lemos nas estrelas e que
Possuímos o filtro do amor.
As pessoas não acreditam nas coisas que não
Sabem explicar.
Nós, pelo contrário, não procuramos explicar

















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