
Ponde nos braços da banza
Um sinal de negro fumo
Que diga por toda a parte:
O fado perdeu seu rumo.
Teu sonho era a vida Severa, e partiste sem que te perguntassem se querias mesmo partir.
Nasceste Severa, e nem te perguntaram se querias nascer..andaste descalça por este mundo a sorrir.
Levaram-te num carro para o abismo Severa...Será que te perguntaram se querias mesmo ir?
Severa, teus olhos azeitona iluminam o bairro que deixaste, perguntaram-te Severa? perguntaram-te se querias deixar o ingote?
perguntaram Severa? Se querias deixar os teus amigos, também descalços tal como tu?
Não sei se te perguntaram menina cigana, mas sei que serás sempre insequecivel; teu nome reflecte o que eras...Severa...nada de pequenas coisas nem de frescuras; quem te quisesse alcançar, teria de ser como tu: um pé descalço! e como admiro isso em ti CIGANA!
Severa...desde que partiste em tão tenra idade(12 anos talvez? perdoa Severa, mas nunca soube ao certo a tua idade), o teu bairro, esse Ingote iluminado pela luz dos teus olhos, perdeu grande parte do seu brilho.
Gostaria que tudo fosse diferente Cigana; gostaria de te ouvir cantar o fado de Liboa como só uma cigana como tu sabia fazer, cantar em romanês...esse idioma caracteristico da tua cultura Severa!
Que saudades menina!
Ficarás comigo
Ficarás no mundo
Ficarás, Sever; para sempre aqui no teu Ingote.
ATÉ SEMPRE MENINA CIGANA
Chorai, fadistas, chorai,
Que a Severa se finou,
O gosto que tinha o fado,
Tudo com ela acabou.