sexta-feira, julho 07, 2006

Parece anedota....

Isto não é nenhuma anedota!
Aconteceu na Rádio Cidade!
E ficamos todos com a prova de que, afinal, não precisamos de responder correctamente às questões para receber prémios.
Basta que sejamos originais!
Viram?

Excelente não é?
Vá! ponham essas cabecinhas a funcionar, sejam originais e, de preferência baixem o nivel de resposta, para assim, aumentarem o interesse na rádio cidade, e ganharem prémios atrás de prémios!
FORÇA PESSOAL!

quinta-feira, julho 06, 2006

“Rio Contigo” – Circuito de fachadas

Foto Márcia Arzileiro
cataventos nas fachadas da CMC
No âmbito do programa cultural das festas da Cidade, a associação “Rio Contigo”
inicia as suas actividades com o evento “Circuito das fachadas – A outra margem”.
Entre 4 de Julho e 31 de Agosto, os residentes e visitantes que elegem Coimbra como destino turístico, têm a oportunidade de percorrer um itinerário devidamente assinalado, onde se apreciam obras de arte nas fachadas de alguns edifícios, situados nas proximidades das duas margens do Rio Mondego.
Para a Realização desta obra, esta associação convidou dez artistas plásticos que se dispuseram, por amor à arte, a participar sem qualquer interesse económico.
João Costa decora a Galeria de Santa Clara; o Convento de S. Francisco ficou ao cargo de António Azenha, José Vieira Martinho e Ribeiro Fernandes; Filipe Cravo ficou com a Ponte de Santa Clara; Nuno Sousa Vieira, da Galeria Sete, ficou ao cargo da Ponte Pedonal; Pedro Penilo, no Parque Verde do Mondego; o Posto de Turismo ficou entregue a Filipe Costa; O Edifício Chiado ficou à responsabilidade de Vvoitek Ziemilski e Verónica Conte; Carmo Almeida e Paulo F. Silva levam a arte até à Galeria Almedina; Pedro Gois Preenche as Fachadas da Câmara Municipal de Coimbra com Cataventos feitos em papel reciclado; e por fim, Hélder Wasterlain é o responsável pela obra no Pátio da Inquisição.
Para além da exposição nas fachadas, os visitantes têm a oportunidade de participar em workshops; onde podem, por exemplo, aprender a fazer cataventos em papel reciclado.
É de salientar também que esta iniciativa artística recorre ao uso de materiais reciclados, de forma a provar que se pode fazer arte com materiais, que muitas vezes, são considerados lixo; para além de ser uma forma de preservar o meio ambiente.
O início destas actividades começa a 4 de Julho, e nesta inauguração, a bicicleta foi o meio de transporte escolhido para percorrer o circuito.
Qualquer visitante pode trazer a sua bicicleta de casa, ou alugar uma no Parque Verde do Mondego; a empresa de aluguer de bicicletas mantém-se no local até 31 de Agosto.
Este projecto conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), da associação para as festas da cidade e da Rainha Santa Isabel, bem como, com a aposta de algumas pequenas empresas conimbricenses.
Esta exposição terá um fim, e o fim escolhido foi a ajuda beneficiária; todas as obras serão leiloadas, no fim desta rota, no convento de S. Francisco.
Percorrer este itinerário é “descobrir a cidade através de um projecto de arte”, como refere Mário Nunes, Vereador da Cultura da CMC.

terça-feira, julho 04, 2006

Festa multicultural no Bairro da Rosa - Ser cigano é ser livre!

“ Nós os ciganos, temos uma só religião: a da liberdade.
Em troca desta, renunciamos à riqueza, ao
Poder e à gloria (…)”

Na semana passada, sexta-feira, dia 30, a festa multicultural, no Bairro da Rosa, marcou o encerramento do ano lectivo recorrente.
Esta festa foi um projecto conjunto dos professores e alunos, maioritariamente de etnia cigana.
Foram exibidas danças ciganas, levadas a palco por meninas da etnia; muita música cigana cantada ao vivo por ciganos adultos que terminaram este ano o 6º ano de escolaridade, no Centro Comunitário de S. José, no Bairro da Rosa.
É de relevada importância salientar a abertura cultural do povo cigano à cultura não cigana.
Primeiro, porque a cultura cigana não privilegia a educação escolar.
Um costume que está a mudar dentro do seio desta comunidade; os ciganos já não querem aprender a ler e a escrever o mínimo e essencial, querem mais.
A prova do querer saber mais está no grupo de alunos adultos que concluíram este ano o 6º ano.

A nossa vida é uma vida simples, primitiva, basta-nos ter por tecto o céu, um fogo
para nos aquecer e as nossas canções quando estamos tristes.

Um costume que vai passar de pais para filhos, já que estes alunos crescidos dizem: “ eu não consigo ir mais longe, mas os meus filhos vão. Os meus filhos vão ser doutores!”, quem o diz é António, um cigano encantado com a descoberta do mundo escolar.
Como dissemos atrás, o povo cigano está aberto a novas experiências e a novas culturas. Nesta festa, para além da apresentação de espectáculos tradicionais da etnia, o fado de Lisboa saiu à rua pela voz de Severa, uma menina de etnia cigana; já para não falar do grupo de meninas, da mesma etnia, que dançou ao som de shakira e de outros ritmos quentes.
O olhar de entusiasmo dos finalistas saltou à vista de todos os presentes, bem como a tristeza do abandono, do fim, e do sonho.
A relação de professor/aluno, ia mais além do ensinar letras, fazer contas, e contar histórias de Portugal. Esta relação irradia amizade, felicidade e gratidão de ambas as partes; mais que uma vez foi dito, “não fui só eu que ensinei, vocês ensinaram-me muita coisa”, disse com alguma nostalgia a professora dos alunos adultos.
Verdade seja dita, os ciganos travam uma autêntica batalha no mundo dos não ciganos.
Se por um lado estes, baixam a cabeça ao passar ao lado de um cigano; o cigano revolta-se por não o olharem de frente como a um qualquer.
Isto aplica-se a toda a vida social, seja na escola, onde são temidos; seja na rua, onde lhes baixam a cara; seja onde for.
Será muito melhor, mais digno, mais honesto e respeitoso, olhar nos olhos e perceber que a beleza da igualdade está na diferença!
Gouveia Monteiro, Vereador da habitação da Câmara Municipal de Coimbra, esteve presente nesta festa.
O vereador tem feito um trabalho rigoroso neste Bairro Social.
As iniciativas têm sido muito bem aceites, principalmente pelos ciganos.
O projecto de aulas para adultos foi implementado por ele e aceite pela comunidade.
Gouveia Monteiro deixou alguns votos de felicidade aos finalistas, e a vontade de fazer mais e melhor por todos, “ Nós vamos fazer tudo para que consigam continuar os vossos estudos. E para que tenham pleno êxito no vosso futuro”, conclui antes de abandonar a festa.
A festa terminou, já perto da hora de almoço, com dois professores a dançar ao ritmo da salsa, merengue, tango e milonga.
De seguida foi a vez do público aprender a dançar, os professores fizeram uma espécie de workshop, onde ensinaram alguns movimentos e passos dessas danças.
E mesmo para concluir a parte dos espectáculos, e porque a fome já começava a apertar, foi distribuído por todos os presentes um exemplar do Jornal “A Liberdade”.
Um projecto realizado pelos alunos adultos e pelas professoras.
Ficou no ar a vontade de continuar com este projecto, no entanto as professoras ainda não sabem se ficam colocadas no mesmo estabelecimento de ensino.

Até podíamos dizer que todos os anos existem festas de encerramento de ano lectivo.
Até podíamos dizer que as crianças vivem todas com a mesma alegria o começo das férias.
Até podíamos dizer que é tudo sempre igual.
Mas não é!







Ainda há crianças que abandonam o ano lectivo a meio para ir trabalhar.
Há crianças que vibram pela primeira vez com a liberdade de poder aprender.
Há crianças que vêm pela primeira vez uma mão que as puxa e as lembra que são crianças.
Há adultos que descobrem pela primeira vez a maravilha da aprendizagem.




Há culturas que se unem; há radicais que se abrem a novas culturas e a novos conhecimentos.
Há professores humildes que descobrem que não existem apenas para ensinar letras e tabuada.
Há mãos de cores diferentes que se entrelaçam, há sentimentos e emoções novos.
No fundo, há esperança!




“Nasce-se cigano.
Agrada-nos caminhar sobre as estrelas.
Contam-se estranhas histórias sobre ciganos.
Diz-se que lemos nas estrelas e que
Possuímos o filtro do amor.
As pessoas não acreditam nas coisas que não
Sabem explicar.
Nós, pelo contrário, não procuramos explicar

As coisas em que acreditamos.”

Quando se morre deixa-se tudo:
um miserável carroção como
grande imperio.
E nós cremos que nesse
momento, é muito melhor
ser cigano do que rei.